Um dos grandes desafios da ciência contemporânea é garantir que a produção acadêmica ultrapasse os muros das universidades e alcance a sociedade. Especialistas da área de pesquisa operacional e otimização pontuam mais especificamente o distanciamento entre a indústria, com inúmeros problemas logísticos e produtivos a serem resolvidos, e a universidade, que mesmo com diversos estudos na área, ainda não leva seus resultados ao mercado de forma significativa.

Indo na contramão desses dados, o professor Weldon Lodwick, da Universidade de Colorado, trouxe para a UNIFESP uma disciplina chamada "Resolução de Problemas via Modelagem Matemática". Ofertada semestralmente para alunos da graduação e da pós-graduação, a disciplina eletiva é ministrada entre os professores Horácio Yanasse, Luiz Leduino e Luis Felipe Bueno.

Nela, algumas empresas são convidadas a apresentar seus problemas aos alunos, que se dividem em grupos. Cada grupo é uma equipe com diferentes áreas de atuação: os alunos podem ser responsáveis pela programação, pela comunicação, pela liderança, entre outras áreas. Eles são assessorados por uma pessoa da empresa — o chamado "ponto focal" — responsável por tirar suas dúvidas. Ao final do semestre, o grupo deve apresentar as soluções desenvolvidas para os professores e as empresas.

Da indústria à sala de aula

Muitas vezes, as empresas não trazem seu problema bem definido ou sequer conseguem reconhecer qual é a questão de fato. Sabendo que na pesquisa operacional a descrição verbal e objetiva do problema é fundamental para que soluções possam ser desenvolvidas, cabe aos alunos conversar com as empresas para entender quais são os incômodos, apresentando possíveis casos para que identifiquem suas necessidades e, enfim, possam trabalhar no desenvolvimento das soluções. Os problemas nem sempre são solucionados de primeira — sendo assim, as empresas podem retornar no próximo semestre, acrescidas de informações adicionais que auxiliarão os novos alunos a resolverem essas questões.

A Renner é uma das empresas que integra a disciplina, trazendo problemas de otimização na entrega dos produtos para as lojas. A Ball Company levou aos alunos o desafio de sequenciar a produção de latas, e até mesmo o Metrô de São Paulo participou dessa iniciativa, buscando a melhor maneira de alocar os manobristas para as viagens de trem. Atualmente, marcas como Suzano, Poliedro Educação e Minerva Foods completam o quadro de parceiros do programa.

Parcerias em destaque

Parcerias a serviço da sociedade

Para além do setor corporativo, a integração alcança a esfera pública, com destaque para o CEMADEN, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. O trabalho envolveu desde soluções para a localização de pluviômetros em São Paulo — dispositivos que medem a precipitação para identificar focos de enchentes — até a análise da Operação Carro-Pipa. Neste último caso, a pesquisa focou em otimizar a complexa logística de distribuição de água potável conduzida pelo Exército Brasileiro em regiões atingidas pela seca.

Ainda na área de mobilidade, foram feitas parcerias para melhorar a alocação e o fluxo das salas de cirurgia em hospitais, estudos sobre a propagação do Coronavírus, soltura de mosquitos inférteis pela cidade para combater a dengue, plantação de bambus para combater o excesso de CO2 em São José dos Campos, alocação de alunos nas salas do ENEM, entre muitos outros exemplos.

Todos eles servem para mostrar a vasta gama de problemas que podem ser trabalhados na área de pesquisa operacional e otimização, além de contribuírem para a quebra do paradigma de que a academia não externaliza os resultados de suas pesquisas, enquanto as indústrias seguem com diversos desafios a serem superados.

A disciplina da UNIFESP não é apenas uma prova de que é possível unir essas duas coisas, como também uma grande oportunidade para os alunos envolvidos. Em muitos casos, as empresas identificam o potencial de algumas pessoas que trabalharam no projeto, oferecendo-lhes oportunidades de emprego.

Portas abertas para a indústria

Empresas e instituições interessadas em levar essa inteligência para dentro de suas operações podem se tornar parceiras do projeto de forma simples: basta entrar em contato com um dos professores para a elaboração de um acordo de parceria, sem o envolvimento de recursos financeiros. Para dar o primeiro passo e iniciar esse diálogo, o contato pode ser feito com o professor Luiz Leduino através do e-mail: luiz.leduino@unifesp.br

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